Cinema e a arte do movimento

10 Flares Facebook 7 Twitter 1 Google+ 2 10 Flares ×

Machine Cult. A cultura das máquinas. Poucas artes dialogam e necessitam tanto das máquinas como o cinema. Por isso, o convite da Machine Cult para participar escrevendo aqui no blog sobre cinema, máquinas e velocidade é uma iniciativa que deve render bons frutos. Máquinas e movimento estão na coluna central do cinema.

A invenção da fotografia foi fundamental para o surgimento do cinema, mas eles se distanciam por um detalhe essencial. Enquanto a fotografia se expressa através do estático, do imóvel, o cinema se expressa através do movimento (a própria palavra cinema se origina no grego kinema e significa movimento). O movimento é o que há de mais natural ao cinema, estando presente em sua linguagem, em sua narrativa e em sua história.

Eadweard Muybridge, fotógrafo bem-sucedido em seu tempo, fez diversos experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento. Em 1878, Muybridge apresenta “Cavalo em Movimento” (Horse in Motion), onde consegue pela primeira vez uma sequência fotográfica de um cavalo durante o galope. Sem saber, Muybridge dava um dos passos mais importantes para a invenção da 7ª Arte.

A sequência fotográfica Horse in Motion

A sequência fotográfica Horse in Motion

 

Não por acaso, em 1895, quando os irmãos Lumiére apresentaram ao mundo sua nova invenção, o cinematógrafo, exibiram, entre outros, o filme “A chegada do trem à Estação”. O cinematógrafo, máquina que permitia a filmagem e também a projeção de imagens em movimento, exibe para um seleto grupo em Paris a filmagem de um trem que se aproxima da plataforma da estação.

 

Reza a lenda que nessa primeira exibição o público estava tão impressionado com a ideia das imagens em movimento que chegou a se assustar com a imagem da aproximação do trem. Esse simples movimento da chegada de um trem foi suficiente para mudar a história das artes e marcar oficialmente o nascimento do cinema.

O filme de pouco mais de 50 segundos ainda hoje é curioso. Impossível ver e não pensar “de onde vem aquele trem”? Quem são estas pessoas? Para onde vão? Porque o cinema é o chegar, ou o não-chegar, mas também sobre o partir. Cinema é sobre o galopar, o caminhar, o dirigir e o pilotar. Cinema é movimento.

Cinema é sobre uma grande viagem, que muitas vezes chamamos simplesmente de vida e como nos transformamos no caminho.

E é sobre isso que falaremos nos nossos próximos posts. Filmes onde trens, carros, motos, bicicletas sejam mais que um meio de transporte, mas um veículo da própria transformação.

Bem-vindo a bordo e boa viagem!


Marcos Flávio Hinke – Se apaixonou por cinema quando criança e transformou a paixão em profissão. Formado em Cinema, atua como produtor e roteirista e é sócio da Usina Audiovisual.


Gostou deste post? Cadastre-se em nossa newsletter no topo desta página e recebe todo mês as atualizações do Blog da Machine Cult. Mas fique tranquilo, respeitamos sua privacidade e não enviamos spam.

 

10 Flares Facebook 7 Twitter 1 Google+ 2 10 Flares ×

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>